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11月21日

apontamentos sobre a dor - parte 4

 

apontamentos sobre a dor – parte 4

 

 

 

[1.] O dia começa com a missa de 7ªdia. Fui de bicicleta, é melhor em todos os sentidos. É dia de sábado estamos mais disponíveis. Na distribuição coube-me a ‘realização’ da missa. Dois jovens. Um é pai duma criança pequenina; ambos mortos num acidente trágico de motoca. Estão presentes as famosas “ocasiões de pecado” previstas no exame de consciência, mas é tarde, tarde de uma forma irreversível. Essa é a impropriedade das nossas vidas desfeitas dentro da linha do tempo. A dor está nos olhos, como comportas que rebentam à mais pequena gota. O silêncio absorve todo o espaço sagrado. O dia de sábado começa sob o império da dor.

 

 

[2.] Ontem o programa televisivo de grande audiência dedicado, exclusivamente, à problemática da Dor e da sua superação. O gênero faz muita diferença. O homem pode passar pela existência sem sentir a Dor, isto teoricamente. A mulher não. Tem a questão das dores da menstruação, a possibilidade do parto. Homens mais fortes, vivem menos. Mulheres mais fracas, integram e superam a Dor com mais resiliência. Será só isso. Conheci um jovem: foi numa festa, bebeu de mais, meteu-se em confusões, um grupo prendeu sacos de plástico ao seu pé e lançou fogo; horrível o estado do pé inchado, com as queimaduras que não sei avaliar o grau. Uma mãe: tem o filho preso por consumo de droga, conheço ‘pastoralmente’ mãe e filho, visitados diversas vezes, inclusive o filho no porão da prisão. No modo de lidar com a Dor a condição humana transpira.

 

 

[3.] Na harmonia do corpo espiritual, do espírito corporizado, alimento as minhas dores. Não sei bem se alimento ou até eu próprio sou o alimento. Alimento mas também sou remédio. Elas vão embora e voltam pela mesma porta, a diferentes horas. São minhas conhecidas. Amizade não há. Mas também não há estranheza. Somos como aqueles vizinhos com percursos existenciais em comum. Sinto que as dores estão em todo o lado. Onipresentes e perigosas. Tão pequenininhas, não é?! Oniscientes? Sob quais regras? Quero acreditar fortemente que fomos criados para a Alegria. Daí que me surpreenda: haverá Alegria sem Dor? Que mistura fina é essa da Alegria Dolorida. A Dor é o ‘fio terra’ da nossa ‘energia vital’. A Alegria um raio de luz permanente em todas as noites escuras da vida.

 

 

[4.] Vou sair novamente de casa com a minha bolsa viática. Preparado para tudo, o mesmo é saber que nada sei sobre o momento de manifestação da Graça. Ela estará lá antes da minha chegada. Sei um nome; não sei localização da travessa, nem da rua; sei do número da casa; não sei do rosto nem da história pessoal; sei do imenso sofrimento armazenado pelas infindáveis dores reprimidas. Sei que vou sair hoje, amanhã e sempre. Ouvir as dores, aliviar, corrigir, e aprender a viver com menos Dor.

 

 

[5.] As pessoas sofrem de diversos modos. Não conseguem verbalizar ou entender o processo da Dor. A Dor integra a vida, mas, nem por isso devemos entregar a vida à Dor. Não podemos desistir de nós próprios. Somos doídos e sobretudo condoídos. Com que escala se pode medir a Dor? Qual é o grau de abalo da Dor de uma pessoa? A Dor é sempre subjetiva. Vamos humanizar o tratamento de forma objetiva. As nossas Dores merecem ser revistas.

 

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 21-11-2009.

Caracteres (espaço incluídos): 3172

 

11月17日

"Grupo Solo Brasil" em Águeda: 21-11-09

 

 

 

Gostei imenso de saber que daqui a 4 dias, na ‘cidadezinha’ onde mora minha família, em Portugal...vai acontecer uma “partilha cultural” (luso-brasileira) inédita! Um exemplo ótimo de gestão cultural.

 

 

 

“Solo Brasil” é o mote para a visita do Embaixador do Brasil a Águeda (02-11-2009).

 

O Embaixador do Brasil junto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Lauro Barbosa da Silva Moreira, foi recebido na Câmara Municipal de Águeda, no passado dia 28 de Outubro, pela vereadora da Cultura, Elsa Corga.

O espectáculo “Uma viagem através da música do Brasil”, criado e dirigido por Lauro Moreira, actual Embaixador do Brasil junto à CPLP, foi o mote da sua deslocação a Águeda. A visita surgiu de uma proposta feita à Câmara Municipal pelo diplomata, a fim de esta apoiar a realização do referido espectáculo, interpretado pelo Grupo Solo Brasil.

Depois de Lauro Moreira explicar e apresentar detalhadamente o projecto a Elsa Corga, a vereadora referiu que “é com muito prazer que Águeda irá receber este espectáculo”. A Autarca relembrou que “a área cultural sempre foi uma das prioridades deste executivo” explicando que “temos como princípio promover a nossa cultura, o que é feito em Águeda, mas também entendemos ser importante receber culturas diferentes e dar essa oportunidade aos Aguedenses”.

Depois do sucesso em 16 Países, agora em Portugal...e em Águeda.

Para comemorar os 10 anos, o Grupo Solo Brasil vai passar por 10 cidades portuguesas, do Alentejo ao Minho, do Atlântico à Serra da Estrela, de 15 de Novembro a 6 de Dezembro. Em Águeda, o espectáculo marca presença a 21 de Novembro, no Cine-Teatro São Pedro, pelas 21:30.

O Grupo Solo Brasil foi concebido para apresentar ao mundo o que o país tem de melhor na cultura musical, sendo que já alcançou o sucesso por todos os continentes por onde já se apresentou. Com êxito em nada menos que 16 países de variadas culturas, como a Argentina, Marrocos, França, Estados Unidos, entre muitos outros, chega agora a terras lusas.

Para comemorar o 10º aniversário, a digressão passa por Cabo Verde, Guiné-Bissau e chega finalmente a Portugal, contribuindo assim para enriquecer o diálogo cultural no âmbito da lusófonia.

“Uma viagem através da música do Brasil” apresenta-se em mais de cinquenta canções, distribuídas em blocos cronológicos, contextualizados por breves comentários de um narrador. O espectáculo apresenta o panorama histórico da música popular brasileira, desde os primórdios até aos dias de hoje, do chorinho ao samba, da valsa à bossa nova, do frevo ao baião, além de oferecer uma visão da música típica das regiões geográficas do país. Este espectáculo está a cargo de um grupo de artistas altamente qualificados, tendo à frente a voz e a interpretação de Maria Eugênia.

Depois do sucesso obtido nos diferentes continentes, com o apoio da Autarquia, Águeda será uma das 10 cidades portuguesas a receber este espectáculo de êxito internacional. “Uma viagem através da música do Brasil”, dia 21 de Novembro, no Cine-teatro São Pedro, pelas 21:30, promete proporcionar grandes momentos ao som da riquíssima música popular brasileira.

 

Concertos em Portugal:

BORBA - 15 Novembro

ÉVORA - 18 Novembro

PORTEL – 19 Novembro

GOUVEIA – 20 Novembro

ÁGUEDA – 21 Novembro (onde mora a minha família...)

ALMADA – 22 Novembro

LISBOA, Teatro Trindade – 26/27/28 e 29 Novembro

OEIRAS – 30 Novembro

GUIMARÃES – 03 Dezembro

PORTO - Casa da Música – 06 Dezembro

 

 

FONTE: Enviado pelo amigo Carlos REIS in http://www.cm-agueda.pt//pagegen.aspx?WMCM_PaginaId=27652&noticiaId=40698&pastaNoticiasReqId=35276 , acesso: 06-11-09.

 

 

11月16日

apontamentos sobre a dor - parte 3

 

 

 

 

apontamentos sobre a dor – parte 3

 

 

 

[1.] A missão de aliviar a dor alheia, e também desnecessário seria referir a própria, evita brutalmente que percamos tempo, que nos infectemos com paliativos falsos, que nos afastemos da falta de verdade, das emoções, da ternura, da música, da dança, da vida e da morte. Numa palavra que mostremos sempre a nossa solidariedade. Ser solidário: este o clamor da nossa humanidade a que não nos podemos omitir e demitir, pela indiferença. Onde está a Dor, exige-se uma Presença!

 

 

[2.] Entre os insultos e os arquejos agônicos da mais triste dor de saber que se está morrendo aos poucos, lentamente. Vi e ungi, após cinco messes, paralisado quase nu, num colchão de ar, visivelmente esquelético, mas amorosamente alimentado, por sonda direta no estomago, em mãos bondosas da esposa solicita ao extremo. Cenário sem regresso. Só a Esperança dos mínimos. Grita, chora e esperneia, a alma pura (a impura de forma menos organizada e mais violenta) no furor da sua impotência, contra o mistério do mal. A banalidade do mal. Anjos de resgate precisam-se!

 

 

[3.] Sou e serei a-pessoa-de-quem-se-ri. Começa assim o lento massacre de uma alma incrivelmente generosa. As dores psicológicas, as dores culturais, institucionais e estruturais, são depressivas e alienantes, simplesmente desumanas. A pessoa é extirpada das razões de viver. Talvez porque a eternidade desse tipo de dor seja indizível, nós temos o pavor, o preconceito ou a necessidade de medicação como soluções precárias.

 

 

[4.] Para os puros, nem todas as coisas são puras. Para os doloridos, nem todas as perdas são dores. Nunca somos só nós, santos e canalhas, a decidir. Permanece, por tanta humana (in)capacidade de combater o mal e de sofrer, o sentirmos por dentro as dores como gérmenes da ressurreição, uma bênção intacta.

 

 

[5.] Uma dor foi consumada; e solidão, insônia e excitação (tema herético) se esforçam por purificá-la. Reprimir sentimentos é semear dores. Quem conhece as palavras doloridas – aquelas que supramos aos ouvidos e degustamos com olhares de mansidão, sempre entre o abraço macio e adolescente – por interditos saberemos quando uma delas não é pura e por que receberá castigo quem foi seu portador. Ditar crime e castigo. Acolher dor e graça.

 

 

[6.] A dureza da Dor, nas sentenças de Céline, se resume à aproximação: “Nada é gratuito neste mundo. Tudo se expia, o bem, assim como o mal, cedo ou tarde se paga. O bem é muito mais caro, necessariamente”. Discordância preliminar em escala macro. Repensaria nesta ordem: “Tudo é gratuito neste mundo”, depois com igual (in)gratidão, ainda que consciente da crueldade da expressão “cedo ou tarde se paga”, não chamando, naturalmente (sentido providencial) Deus para “estes assuntos”. Não é escolher entre pessimismo e otimismo. Pensamos o fundo ontológico radical. No Perigo reside a Salvação. Na Dor emerge a Cura. Cuidado, são apenas apontamentos sobre a maceração e modo de impropriedade.

 

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 16-11-2009. Caracteres (espaço incluídos): 2904

 

11月15日

ONDE CHEGA O ABUSO DA CORRUPÇÃO!

 

 

ONDE CHEGA O ABUSO DA CORRUPÇÃO! (15-11-09) (*)

 

 

“UM absurdo! Incrível! Não há direito! Sobre o que se passa no Senado, dizer: abuso,escândalo, corrupção, insensibilidade pública, injustiça...é pouco. Por isso, não é de admirar que estejam surgindo pessoas que interferem ações populares contra o que se passa no Senado.

Só em Janeiro passado, durante o recesso, em que não ficou nenhum senador em Brasília, foi pago indevidamente aos 3.883 servidores da Casa R$6.200.000,00 (seis milhões e duzentos mil).

Por ano, cada senador custa ao erário público R$5.017.280,00 (Cinco milhões...). Todos os senadores: R$406.000.000,00 (quatrocentos e seis milhões...).

Quer dizer: cada senador custa por mês, em média, (por mês!): R$418,000,00 (quatrocentos e dezoito mil reais). Vejamos, mais em pormenor, algumas parcelas:

- Salário básico (com direito a 13º,14º15º mês) ... R$16.500,00

- Verba para o gabinete............... R$15.000,00

- Material gráfico ......................... R$08.500,00

- 11 assessores a R$6.800,00....... R$74.800,00

- Auxílio moradia ......................... R$03.800,00

- Telefone fixo .............................  R$ 500,00

- 25 litros de combustível diários com carro e motorista.

- 5 a 7 passagens aéreas para o seu Estado (ida e volta)

- Restituição integral de todos os gastos com saúde pessoal

   e de seus dependentes (sem limite)

- Anualmente, para tratamento odontológico e psicológico,

  no valor de R$25.000,00.

 

FONTE: extraído de "Mundo e Missão" Nov. de 2009, Nº137, pág. 9.

 

 

E em Chapadinha o que se passa? O ambiente que se está criando é inquietante. As autoridades não se vêem, nem se vê o que estão fazendo. Há papéis que correm na rua divulgando contas que, a serem verdade, são no mínimo, escandalosas. Será verdade que se gastaram 495.343,00 reais com o desenvolvimento do folclore o ano passado? Será verdade que se gastaram o ano passado 3.984.200,00R em construção de estradas e pontes, se   destinaram, este ano, 475.200,00 reais para peças das motocas da Prefeitura? E para quando dar um jeito nas estradas do interior para o qual foi previsto gastar este ano R$1.500.000,00?”.

 

 

 

(*) FONTE: in Vida Nova - Boletim Formativo e Informativo da Paróquia de N. S. das Dores - Chapadinha // DIRETOR – Manuel Neves // DIRETOR-Adjunto – Pedro José; N°42 - 15/11/2009, p.4.
11月14日

apontamentos sobre a dor - parte 2

 

 

 

apontamentos sobre a dor – parte 2

 

 

 

[1.] A experiência da Dor é uma das que mais essencialmente constitui a identidade. Uma das sentenças paradoxais preferidas pela seriedade peculiar é: “Diz-me como é que sofres; que dir-te-ei em que tipo de humanidade acreditas”. À Dor do Sofrimento não convém sobrepor, por tapa-buracos-instantâneo-descartável, as diversas “divindades” de plantão. Deus não é aspirina. Por esta mão contraposta serão “felizes aqueles que levam consigo uma parte das dores do mundo. Durante a longa caminhada, eles saberão mais coisas sobre a felicidade do que aqueles que a evitam” (cfr. um_peregrino@hotmail.com). Não haverá lugar a “colo”, “ninho” ou “nomeação/promoção superior”?

 

 

[2.] A dor é míope. Há as dores cegas, e as que produzem cegueiras incuráveis. Há as dores visíveis e as invisíveis. Arrancar “os dentes” para depois não ter mais dores podres. Operar e tirar a dor que nos consome a corporalidade do fígado, da próstata, da mama. Confessar e perdoar para que o “inferno não sejam os outros”. Para que ninguém seja juiz de si próprio. Saber que o companheiro “passa por uma situação muito difícil, pondo agora os médicos, a hipótese de sofrer de hidrocefalia, que, a confirmar-se, lhe traria algumas melhores por via cirúrgica”. Saber que o Wilson (nome falso), foi operado aos quatro messes de lábio leporino, e que no presente pede ao pai: “- Tira o meu dente do nariz” [cravado de dentro para fora na narina...vi isso ontem rosto-a-rosto...]. Apesar da belíssima cirurgia plástica. O mundo pode parar, mas as dores humanas continuam. A agonia de Cristo até ao fim dos tempos?

 

 

[3.] “Deus não ama a dor e a dor não leva a Deus (ou melhor: nalguns casos raríssimos sim, mas é melhor passar pela alegria para alcançar a Deus). Também Deus evitou a dor, também Ele (que não a conhecia muito bem, antes de se tornar homem) evitou a dor quando pôde. Existe uma espalhada sensação de “dolorismo” no cristianismo, uma perene e infinita Sexta-feira Santa que reúne ao seu redor milhares de devotos” (cfr. Paolo Curtaz). “A agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras, a agonia que O faz suar sangue, está toda ali nessa opção. Não na dor que Jesus deve enfrentar, não no sentido de abandono da parte dos seus, não. Francamente: conheço pessoas que sofreram muito mais e mais demoradamente que Jesus. Creio que a dor, inaudita, que Jesus experimenta, nasça da dúvida da inutilidade da sua opção definitiva. O Adversário, que regressa agora que chegou a hora, procura desencorajá-L´O: “É tudo inútil”. Inútil: não vês que vêm aí para te prender? Inútil: os teus amigos estão a dormir, não compreenderam a gravidade da situação. Inútil, o homem nunca mudará. Jesus aceita, corre o risco, doa-se. Morrerá. Ali, cravado na cruz, Deus é evidente, inequívoco, não há hipótese de ambigüidade. (...) Deus está manifesto: exibido, mostrado, nu. Deus é assim, amigos: rendido. A nós compete, agora, o próximo lance [?]” (cfr. Paolo Curtaz). A mó do meu ateísmo prático: as dores inúteis? Os meus trabalhos inúteis? A maturidade é isso aí?

 

 

[4.] Existem mundos dentro do mundo. Existem mundos dentro das minhas dores. Sentimentos e cidades invisíveis. Livros não lidos. Livros não escritos. Livros só sonhados. Existem diferentes formas de Amar. Existem diferentes formas de Sofrer (suportar, sublimar e reprimir as dores múltiplas...). Estou a ficar insensível. Cansado e exausto de “utilidades inúteis”. No estado de alerta, amarelo forte, em colapso físico e mental. Um-quase-Burnout-de-vida-comunitária-na-especialidade. Não há soluções. Há caminhos. Mas esse não é o problema último. A Vontade não pode ser cega. Eu ainda tento ver por fora das minhas Dores. “Levantou os olhos para o filho e disse: “Vês aquela coisa grande, ali, alta, é uma árvore...e daqui vai nascer uma como aquela”. A criança abria a boca de espanto e sorria. Acreditou” (cfr. Vasco Pinto Magalhães).

 

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 13-11-2009.

Caracteres (espaço incluídos): 3851

11月12日

apontamentos sobre a dor

 

 

 

apontamentos sobre a dor

 

 

[1.] Ando com o ego ferido. Corte da barba e do cabelo, apenas 8,00 reais, impossível ter a dor do pagamento!? Queria apagar velhas dores. Aquela velha história em 4 passos. Primeiro, na juventude, o desejo sincero de converter o mundo inteiro. Segundo, entrando na meia idade, a conversão ficaria circunscrita aos amigos, vizinhos e família cultural alargada. Terceiro, saindo da meia idade, o slogan já é: converte-te a ti mesmo! E só resta, o quarto passo. A sensação da dor de que nada dá certo, sem generosidade e gratuidade. A bela dor dum filho recém nascido.

 

 

[2.] A dor está lá e se faz presente, sem esmagar. É suportável, contudo teima em não ir embora. Entra em ciclos de fluxo e refluxo. Para aliviar a consciência devemos fazer tudo ao nosso alcance através de um diagnóstico profundo. Toma-se a medicação prescrita pela urologista. A excelentíssima médica com credenciais dadas pela clínica vip. Começamos a trabalhar sobre o efeito da medicação que alivia o “desconforto” da dor. A viagem de moto foi um suplício. A dor persiste mas o tratamento previsto levará 10 dias. Nada feito. Só resta agüentar sem gemer. Depois surgirá o encaminhamento previsto.

 

 

[3.] Minha vida célibe. A dor da solidão é a pior das dores. Já tive a ilusão de que não seria assim. Hoje, a companhia da solidão é uma dor crônica. As dores crônicas viciam. Uso de vários recursos mas sinto a perda de paciência, com todos os que se julgam predestinados a mandar. Não uso de caridade com a falta de verdade. Assertivo e duro logo ao menor indício. Não vou participar. Já disse que disse e não vou repetir pela terceira vez. Quanto à observação crítica que era dispensável: cartão vermelho, resultado da acumulação de amarelos, e também, vermelho direto. Tudo relacionamentos agradáveis da vida comunitária. Dor indolor.

 

 

[4.] A dor de ralar no trabalho. A piada preconceituosa: Deus criou Adão e Eva, e não Adão e Ivo. A dor de não ser capaz de fazer a diferença. A dor de não querer ser ‘mais diferente’ do que os outros. A dor do princípio, a dor do meio, e sobretudo, a dor depois de terminar. A dor de não estar presente fisicamente. A dor de não ser desejado. De não poder ser desejado. A dor de não sentir a dor certa. A dor de ficar esquecido e meio apagado e sentir o desejo de ao menos sentir a dor alheia. A dor de não se saber pensar fora do sofrimento. A dor da liberdade que não se constrói. A dor sem fim. E o fim de todas as dores no corpo dolorido da cruz. A nova dor da ressurreição, onde não haverá lugar ao ato penitencial. Minhas quedas e meus vícios. Dores amadas por distâncias requeridas. Apontamentos sobre a dor.

 

 

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 11-11-2009. Caracteres (espaço incluídos): 2620.

 

 

11月6日

A Escravidão no Brasil Hoje? Entrevista do sociólogo José de Souza Martins

 
 

 

A ESCRAVIDÃO NO BRASIL HOJE?

- Entrevista do sociólogo José de Souza Martins -

 

 

(...) 1. Além dessa lesão ao direito, a industrialização e outras atividades econômicas no Brasil também estão assentadas em processos de grande exploração da mão de obra e de destruição ambiental.

Isso vem desde o começo. Grande parte da chamada "acumulação primitiva" ocorreu com a escravidão. Essa história de que o capitalismo brasileiro esperou o fim da escravidão, isso é teórico. Na verdade, a grande acumulação se deu na escravidão. No caso do Sudeste, foi no café mesmo. O trabalho livre chegou aqui no limite da história da escravidão, enquanto houve essa possibilidade eles seguraram. Introduziram trabalho livre porque não havia reposição com a cessação do tráfico negreiro e o preço do escravo começou a subir a ponto de virar uma mão de obra antieconômica. Depois, eles reintroduziram o trabalho escravo com outra cara, que é o colonato, sistema em que trabalhador produzia a sua própria comida e praticamente não recebia salário. Dizer que acabou a escravidão e começou o trabalho assalariado não é verdade.

 

 

2. Uma forma assemelhada do que hoje chamamos de trabalho análogo à escravidão?

Que não é análogo. Nós temos uma terceira escravidão no Brasil. Há um sistema razoavelmente eficiente no governo federal de combate à escravidão, mas só razoavelmente eficiente, porque não consegue acabar com a escravidão. Quer dizer, ela sai daqui e aparece ali. A nossa economia, diferente da economia de modelo, da literatura teórica, histórica e econômica, é uma economia dependente da acumulação primitiva. Ou seja, tem o lucro normal do capital mais o lucro extraordinário da acumulação primitiva, que depreda o ambiente, depreda a mão de obra, rebaixa os custos por meios violentos. Enfim, é uma economia muito dependente de formas primitivas de extração da riqueza.

 

 

3. Essas atividades não são periféricas na nossa economia?

Eu estudei muito isso, não é periferia. Se você pensar a economia em grupos econômicos, articulados em rede, você vai ver que todas as grandes empresas têm o seu centro e a sua periferia. E na sua periferia, pratica trabalho escravo. Isso vai da indústria à agricultura. Eu me lembro do caso emblemático da fazenda Vale do Rio Cristalino, no sul do Pará, que era da Volkswagen e onde havia trabalho escravo. No fim da ditadura militar [1964-1985], uma comissão de deputados recebeu uma denúncia de que havia exploração de trabalho escravo na produção de carne. A fazenda tinha o equipamento mais moderno para abater, frigorificar e transportar essa carne para a Alemanha, que ia de avião e chegava lá no dia seguinte, como carne fresca. O trabalho de derrubar a mata, plantar o pasto, o trabalho bestial era trabalho escravo, a chamada “peonagem”, escravidão por dívida. Cada vaca da Volkswagen tinha um chip implantado e a saúde do rebanho era controlada por computador, via satélite, na fábrica de São Bernardo.

 

 

(...) 4. Mas isso não tem grande visibilidade, não?

A sociedade não vê porque ela não acredita. Nós temos uma cultura escolar de bestificação das pessoas. "Acabou a escravidão no dia 13 de maio de 1888", esta é uma historiografia idiota! Não analisa os processos. Não salienta que tivemos duas escravidões no Brasil e temos agora uma terceira. Tivemos então: a escravidão indígena, a escravidão negra e depois a escravidão da peonagem, com radiantes em várias partes do Brasil. Se a escola educasse melhor para as pessoas enxergarem a história como ela é, as pessoas seriam mais sensíveis. Essa informação sobre a terceira escravidão está sendo publicada todo o tempo, mas as pessoas não enxergam. É uma deturpação cultural derivada da matriz de entendimento das coisas.

 

 

FONTE: Excertos da entrevista do sociólogo José de Souza Martins, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), Agência Brasil (31-10-2009) in http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27127, acesso: 02-11-09. Obs. A numeração e os destaques na entrevista são da minha responsabilidade.

 

 

11月5日

jogo de espelhos

 

 

 

jogo de espelhos

 

 

 

[1.] Diálogos de intermitências, eu e a minha Alma. Estávamos de pé, como que quase desconfortáveis. Conversar rápido e com interrupções. Direto ao essencial. A necessidade de fazer algumas confidências básicas já previstas. No contra-pé da Luz partilhei um Sal refinado e branco. Os problemas que se adensam pedem decisões determinadas e não radicais. Não será o composto, mas naturalmente o disposto. Sempre na fuga ao tema musical. Em arte de virtuoso imerecido. Sou um fã do seriado “Dr. House”, professo meu tempo televisivo. Gosto de todas as situações e dramas. Do trabalho irrepreensível dos atores. Até os maus são bons. Impossível melhor. As doenças e as mortes, também, são boas. Eu que não sei como estar doente. Ficaria doente por puro prazer. A vida é também esse desequilíbrio. Quando não queremos a negação.

 

 

[2.] Chegou só com lisura. A palavra certa é essa. Além da necessária sinceridade. Até mesmo na autenticidade desprotegida. Mas teremos que tomar cuidado com a sinceridade, ela pode ser nossa inimiga na felicidade. Não dentro das pequenas felicidades. Nos projetos medíocres. Pois trata-se da felicidade maior. Felicidade do mais. Num processo de lisura, aí sim, voltamos ao foco. Não teremos concentração suficiente. Requeremos a suavidade do tato. O desejo do tato. Do tocar sem olhos, sem precisar olhar. Aí sim mora o Desejo. Essa autorização não violada. A pele que pede o beijo da pureza. Há beijos felizes mas impuros. Como os há, também, puros mas infelizes. Como escolher? Beijo escondido ou público. Um suspiro e a lisura foi embora. Sem uma despedida lenta. A lisura na pessoa e no entendimento. Tudo o que somos capazes. Lisura é a palavra do momento sem exagero.

 

 

[3.] Stainless Steel e risos irônicos. Vida célibe. Qualquer coisa que se perca em jogo de interesses terminará em corrupção involuntária? Pergunta extensa na resposta. Jogo de espelhos. As respostas pessoais deveriam ser indolores. Serão assim por experiência não vivida. As respostas comportam dor e cruz. A cada momento a sua Graça. Faltará o golpe da paixão? Não necessariamente por ordem e progresso. Há o caos interno. Há o fazer, o desfazer e o refazer. Os sentimentos não são amorosos. São outras coisas menos limpas. Preciso praticar a Penitência. Sobretudo purificar o coração. Problemas de vida entre a depressiva, distanásia; a querida ortotanásia e a nossa eterna arqui-rival, eutanásia. Só gosto de reduzir tudo a três. Em plena longevidade morreu-nos Claude Lévi-Strauss. O que me faltaria ler ainda em vida.

 

 

[4.] Não terminamos a conversa. Digamos que não chegou a ser interrompida. Pois nunca chegaremos ao ponto de nos dizermos por inteiro. Se fosse capaz de me dizer do lado avesso temeria as minhas consequências. Os efeitos colaterais seriam retratados com lividez. Na minha obscuridade existencial. Serei do tipo lívido. Não posso avançar, não sou caçador. Sou a presa. Sou a armadilha. Sou o laço e o nó. Feliz por estar em liberdade. Digno por tomar as melhores decisões familiares. Não olhar a custos. Discreto e próximo. Capaz de requerer serviços eficazes. Decidir não votar e depois votar em carta registrada. Duro na queda. Mole no martírio. Irônico na inteligência. Sagaz com certa tenacidade a longo prazo. Observador nato dos detalhes. E perfeitamente incompetente nos atoleiros e atolanços. Não haverá duas sem três.

 

 

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 05-11-2009.

Caracteres (espaço incluídos): 3346.

11月1日

Exercícios para a Santidade

 

 

 

Exercícios para a Santidade

 

 

 

 

Sempre transpirou de certa espiritualidade que o caminho de ‘santidade’ era um caminho de ‘loucura’. Vamos lá saber porquê... e até o saberemos, bem depressa demais, sempre que não quisermos aceitar a mediocridade espiritual. Vou partilhar releituras “pródigas” de uma obra-prima - em primeiro grau (sem condescendência do autor): “Louco para ser normal”, de ADAM PHILLIPS (*). Com concordância ou sem ela, estamos perante o desafio de pensar as nossas seguranças (também religiosas). E estaremos diante da emergência do paradigma secular da Sanidade, a Santidade dos tempos contemporâneos, assunto bem mais complexo e aliciante em termos de diálogo cultura - fé. Ou seja, excelente como despertador de inquietações e conversões. Vale a sapiência nesta temática árdua e graciosa da Santidade ( = Sanidade Integral; = Maturidade Plena... ou outra ‘roupa nova’, etc): a máxima que o Povo diz: “A correr a gente cansa; a caminhar a gente alcança”. Transcrevo pois 6 citações, numa mistura de afirmações breves e longos parágrafos. Lutemos por uma santidade com informação, conhecimento e sabedoria. Vivam @s Sant@s, ou parafraseando no mesmo espírito irônico, enquanto forem ‘louc@s para serem normais’. Bons exercícios para a sua busca de santidade. A santidade tem em si a verdade do horizonte!

 

 

 

 

[1.] “A loucura do querer humano moderno é não querer saber sobre seu próprio querer” (p.131).

 

 

 

[2.] “Na tradição do Pecado Original, secularizada como a tradição da Cobiça Original, a criança nasce com mais agressividade do que pode suportar. Essa agressividade, que é variadamente chamada de ódio, destrutividade ou inveja – e por vezes, de maneira mais tranqüilizadora, é considerada uma espécie de direito hereditário ou vitalidade -, é vista como inata (um produto de nossos genes, cada pessoa tendo uma quantidade diferente) ou como provocada por frustração excessiva (e novamente cada indivíduo tem uma diferente tolerância à frustração). Essa agressividade inata, quando não é descrita como vivendo uma vida própria, como uma espécie de sabotador interno “louco”, está sempre a serviço do apetite. Há o simples vigor da fome, e há a raiva da frustração, de ter de esperar ou de ser deixado insatisfeito. Como a mãe nunca pode ter total controle da criança, há sempre uma lacuna, um atraso entre desejo e satisfação. É nessa lacuna que o que é chamado de loucura – os sentimentos excessivamente intensos – aparece, quando a espera se torna insuportável e começa a se transformar em outra coisa (a raiva e o ressentimento que são ódio do apetite; o vazio e a anestesia que são a abolição do apetite)” (p.71).

 

 

 

[3.] “Os sãos não são apáticos nem letárgicos. Não lhes falta entusiasmo. Não são desmancha-prazeres” (p.120).

 

 

 

[4.] “Nas culturas judaico-cristãs a pessoa sã – a parte sã da pessoa – seria o antagonista do que teria sido chamado de pecaminosidade; a santidade seria contraposta a todos aqueles desejos corporais que desviam o indivíduo de seu dever para com Deus. Em culturas seculares, a sanidade tem um papel mais intrigante a desempenhar. É óbvio por que uma criatura divinamente criada haveria de querer ser boa; é menos óbvio por que uma criatura moderna, compelida por instintos, que evolveu acidentalmente deveria querer ser sã. A menos, é claro, que o que estamos chamando de sanidade seja uma ponte entre dois mundos, entre o desejo de ser bom – ser sem pecado – e o desejo de sobreviver e se reproduzir. Em outras palavras, a sanidade como uma questão aparece quando as pessoas estão começando a se perguntar se virtude e sobrevivência emocional ainda são compatíveis. E em nenhum lugar a virtude é mais posta em questão que em nossas vidas eróticas” (p.81).

 

 

 

[5.] “Podemos querer ser mais bondosos, mas o que nos conduz dá muito pouca importância a essa vontade; como se não fôssemos o que deveríamos ser, mas o que pensamos que deveríamos ser tem extremamente pouco a ver com o que realmente somos” (p.152).

 

 

 

[6.] “Loucura é uma palavra para agressividade demais, ou frustração demais, ou ambas as coisas. A sanidade, em conseqüência, é ou uma questão de sorte – por acaso nascemos com a quantidade certa de agressividade – ou a capacidade de suportar frustração. Como a fé religiosa, a capacidade de suportar frustração é a crença – sem fuga para a amargura ou a arrogância – de que a coisa boa, a coisa que queremos, virá. Essa versão da sanidade é usualmente chamada de esperança. A pessoa sã pode ir em busca do que quer, e esperá-lo, sem precisar depreciar nem seu desejo nem o objeto desse desejo. Num estado mental são, não queremos estragar nenhum dos ingredientes do nosso apetite: nem nossa natureza corporal que é sua fonte, nem o processo e o projeto de querer, nem o próprio objeto de desejo” (pp.71-72).

 

 

 

 

(*) PHILLIPS, Adam, Louco para ser normal, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 2008, pp.156. ISBN 978-85-378-0083-6.

 

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 01-11-2009.

Caracteres (com espaços): 4845

 

 

10月29日

Como descobrir/construir a Verdade?

 

 

Como descobrir/construir a Verdade?

 

 

Muito para além do credo religioso, da experiência humana, do berço cultural, todo ser humano tem um compromisso sério com a Verdade. Simplificando, todos podemos inventar as nossas verdades. Contudo, ninguém pode inventar a Verdade, de acordo com a sua conveniência. Bem, então nos diga “já”, qual é a “Verdade Verdadeira”? Vamos sem pressas e sem indecisão. Primeiro. O ato de julgar (vamos usar uma roupa filosófica mais antiga...) ao ser emitido sobre as pessoas e as situações, tem de responder a dados reais, completos e verificáveis. É a nossa responsabilidade. É a nossa honestidade que está em causa. Se é que pretendemos levar uma vida séria e bem humorada.

 

Segundo. Quando falamos de opinião entramos no domínio do “opinável”, isto é, um assunto poderia ser de uma maneira ou de outra. É o campo dos temas complicados, impossíveis de serem demarcados. Mas para ser válida, a opinião deve estar fundamentada, também, sobre dados reais, e não inventados. Deve ser formulada de acordo com raciocínios lógicos, dentro de um contexto vital, em ordem a uma tradição de valor. Se não for assim, essa opinião, que cada um tem direito, é inválida, não importando quem pretenda sustentá-la. Quem emite opiniões inválidas com certa frequência acaba perdendo o respeito dos cidadãos sérios.

 

Terceiro. A lei da selva, a lei do consumo, a lei-da-decisão-técnica, em compensação, são formuladas (muitas das vezes, a maioria das vezes...) sem referência a razões plurais e aos valores éticos. O critério unidimensional outorga excessiva primazia aos “dados” (estatísticos, científicos, econômicos...). O jogo torna-se complexo, são “os dados” contra “as razões e os valores”. É aí onde pesam as intrigas da cor do dinheiro, o argumento do “papagaio”, as “empresas laranjas”, as diplomacias vazias e os maus contratos “anti” ou “pro” discriminação; onde o poder suplanta o direito, e as verdades se inventam para acomodar conforme a conveniência. Nessa maneira de estar no mundo, não há lugar para a “Verdade Verdadeira”. Os discursos repletos de ranço e pilantragem representam uma narrativa hipócrita, e os poderosos impõem a sua “vontade política”. Mas não é o fim da Verdade.

 

Quarto. Olhemos um caso exemplar. O exercício ordinário de prestação de contas credíveis é sempre uma prática usual e bem querida. Não aceitar esse dever público significa o aumento da “dívida pública” em relação à descoberta/construção da Verdade em sociedade. Com firmeza é preciso aceitar: "Sem verdade, sem confiança e amor pelo que é verdadeiro, não há consciência e responsabilidade social, e a atividade social acaba à mercê de interesses privados e lógicas de poder, com efeitos desagregadores na sociedade, sobretudo numa sociedade em vias de globalização, que atravessa momentos difíceis como os atuais" (Caritas in Veritate, nº 5). Não é favor a algumas vozes críticas a prestação de contas. Trata-se de um direito para com todos os cidadãos. Onde não se fiscaliza a corrupção da administração pública: aumenta a violência social e a mentira se instala. O cenário de mudança é uma vez mais adiado, através de ações plásticas de marketing e entretenimento desregrado. É uma cultura de consumo e não de rigor.

 

Sendo assim. O falso não pode virar verdadeiro. A meia verdade não existe, pois não existe a vida pela metade. Rigor, trabalho, transparência e disciplina na Administração Pública colocam-nos no caminho da descoberta/construção conjunta da Verdade. Exige-se respeito para com os diversos Conselhos Públicos. Sejamos cada vez mais, parceiros da Verdade em sociedade, e não cúmplices da Mentira nas instituições! O Povo sabe que só a Verdade libertará do assistencialismo e clientelismo, não queiramos continuar a ser enganados. É necessário “Olho Vivo no Dinheiro Público” (*) !

 

 

 

(*) Cfr. Olho Vivo - Programa Olho Vivo no Dinheiro Público: http://www.cgu.gov.br/olhovivo/Noticias/2007/noticia200702.asp

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 28-10-09;

3766 caracteres (com espaços incluídos). Tempo: 3h30.

 

10月27日

Sobre o que não consigo

 

 

 

Sobre o que não consigo

 

 

Você poderia esperar confissões dignas e indignas. Nada disso. Poderia estar imaginando que estou intimamente envolvido com problemas insolúveis. Engano torto. Não trabalho tanto assim, aliás, meu lema, sem grande êxito é: Menos é Melhor. Procuro trabalhar em rede, fui ensinado, instruído e cresci, humanamente, a trabalhar em equipe (pequenas e alargadas). Não quero que partilhe o que vou escrever, apenas, que possa pensar sobre algumas adversidades. Aquelas perdas de particularidades de um dia bom, que de repente perde a cor e fica dia trágico. Para tal apresento apenas 8 “círculos virtuosos” a prosseguir:

 

 

1. Tempo. Esqueça que está dentro de um relógio, chamado “produtividade”. Essa estória de “ganhar” é uma “tortura”. Tudo é dom e tarefa, mais dom do que tarefa. E tarefa porque primeiro é Dom. O tempo foi feito para o homem, porque o ser humano é feito de tempo, ainda que tempo sonhado. E muitas das vezes não realizado. Os resultados não surgirão com o seu trabalho, mas com o ser um(a) trabalhador(a).

 

2. Relacionamentos. Hoje aposto cada vez mais em relações que durem. As amizades são para ser cuidadosamente zeladas. É como aguar as plantas diariamente. Acionar contatos, oferecer os seus “produtos”, sem impor nada. Deixe os outros livres de suas preferências e decisões. Não esqueça uma certa ‘seletividade’, o que significa escolher pessoas que realmente possam fazer-nos crescer como pessoas. Não faça distinção de sexo (mas olhe com que sexo você fala...), não use sua cultura como cartão de visitas (mas olhe ao estado cultural do seu parceiro no diálogo...), etc.

 

3. Comunicação. A sua capacidade de comunicação verbal é o mais importante, embora não seja, inconscientemente, o mais decisivo. Mande recados com os olhos; seja humilde; seja autêntico, seja polido e duro na queda. Escreva se for capaz. Faça exclusiva divulgação das “boas novas”. Faça das imagens ícones e não logo-marcas. Deve sorrir a preceito e mesmo com sono, febre ou mau-humor. Jamais se contente em ficar limitado á comunicação dos outros tome você a iniciativa. Aprenda a usar a internet. Não perca tempo com TV (exceção para os canais pagos).

 

4. Manutenção. Alguns por “catequeses incompletas” não admitem a necessidade da sua “saúde preventiva”: rompem barreiras anteriores e interiores. Ficam ultrapassados sem se darem conta. Formação permanente é permanente ato de auto-formação. Manutenção é equilíbrio e equilíbrio é sanidade. Sanidade é maturidade. E Santidade é o resultado final, sem descontos. A leitura é imprescindível como “ABZ básico”. A leitura é ‘barata’ no custo de realização (a aquisição pode ser mais cara) e rica no investimento a longo prazo. Na leitura você está só e acompanhado. Faça manutenção, só, em grupo e dentro do povo.

 

5. Transparência. Invariavelmente pode acarretar perdas de grandes amizades ou a colheita de conflitos familiares. ‘Transcendência é transparência’, chegou a dizer ousadamente um grande teólogo. Se assim é o Divino, ao contrário, do que muitos ocultam. Onde está nossa Imagem e Semelhança? Da Sua Luz como que somos iluminados, só nos resta acender velas infinitamente. Purificar o coração. Desejar uma só coisa. Sempre que possa vista branco (há nuances quanto à questão do gênero que não podemos esquecer).

 

6. Persistência. Para subir na hierarquia e alcançar bônus não quero, não preciso e faz-me mal. Não faça ondas, não promova revoltas. Na sua trajetória, esteja certo, o seu currículo não conta nada para Deus. Não contabilizará mais respostas negativas do que positivas ao seu ser. Explore o seu índice de (auto)aceitação; seja/será sempre denso em cada instante. Formiga e Borboleta e não Pulga e Vírus. A falta de persistência será meio-caminho para a impotência.

 

7. Determinação. Faça planejamento, trace metas privadas em espírito comunitário, estabeleça uma visão de Fé. Sinalize aonde quer chegar. E sonhe bem alto. Nada pode ser mais medíocre do que o medíocre espiritual. A persistência é o combustível, enquanto a determinação é o motor. Cada passo é importante na direção da Meta Final.

 

8. Comprometimento. O comprometimento significa mais do que exercitar a determinação. Exige a graciosidade. Vitaliza a generosidade. Aposta na lealdade da Vida doada na Amizade. “Amar e Ser Amado”. Assume-se o Sacrifício da maturidade. Representa o respeito aos princípios e valores da Pessoa Humana. Dê o exemplo.

 

 

A minha relação comigo mesmo é Interioridade (quem sabe Intimidade); a minha relação com os outros é Alteridade (quem sabe Solidariedade); a minha relação com o Divino é Transcendência (quem sabe Transparência); e a minha relação com a Natureza/Ambiente é Naturalidade (quem sabe Bio-Genética). Sobre o que não consigo nestas 4 relações, promovo, treino e crítico no disposto, nos anteriores, sumariamente, enunciados 8 “círculos virtuosos”: pois tempo gera mais tempo (Eternidade); relacionamento gera mais relacionamento (Humanidade); comunicação gera mais comunicação (Revelação); manutenção gera manutenção (Santidade); transparência gera transparência (Divindade) e por último, agregados os círculos da Persistência-Determinação-Comprometimento, geramos Espiritualidade, que é Vitalidade. Receita fácil, cura mais difícil. Daí o título: “Sobre o que não consigo” mas tento e tento e tento, até conseguir de tanto tentar!

 

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 27-10-09;

5291 caracteres (com espaços incluídos). Tempo: 3h30.

10月25日

Cronicar sem rumo, belezas escondidas.

 
 

Cronicar sem rumo, belezas escondidas.

 

 

 

[1.] Outubro fabuloso. Este mês tem sido incrível. Muito duro de amar, mas íntegro. Hoje conheci o “Riacho Feio”, fui celebrar na comunidade da Matinha dos Elenos (27ª comunidade visitada por mim neste mês), pela primeira vez. Trajeto de jipe, trajeto a pé, 275 metros (informação dada pelo dirigente da Matinha... como é que ele sabia: - dizem padre que é..) com água pelos joelhos e um pouco acima. Tirei os tênis e as meias; mala a tira colo e lá vou eu dentro de água (Não há jacaré!? Não há sucuri!? Não há piranha!?...). Começo a caminhar com lentidão premeditada e depois consentida. Vem rápido a dor nos pés, primeiro sensitiva, depois incisiva, por último, insuportável... desisto, vou pensando... em cima das tábuas... um dos jovens que me acompanhavam já “treinado”; empresta-me as suas “Havaianas”. Salvo por umas simples havaianas... mais de 10 minutos dentro de água, viagem de ida, pela manhã, e de regresso, pelas 13h30, depois da missa, com sol de ‘estrelar’. Simplesmente espetacular! O corpo no seu máximo! Trajeto de motoca para finalizar. Uma perícia digna de medalha. Pena que as motocas tenham de atravessar o Riacho Feio. É o progresso. Água fria, límpida, cristalina: sem cor; sem cheiro; sem sabor: água em estado puro! Plantas e peixes. O lugar mais bonito que já visitei... as ‘cabeceiras’ ficam para os lados do município de Buriti. Um paraíso perdido e encontrado. Regresso no nosso cúmplice Toyota, o indomável! Ao todo 64 km: o corpo sente, o espírito aprova.

 

 

 

[2.] O texto copiado. Na mesma comunidade uma jovem cantora aparece com um roteiro de cânticos. Palavra puxa frase, e a frase traz uma decisão. - Empresta-me o teu guião: “Canto do Povo de Deus” – Basílica-Santuário Diocesano Nossa Senhora das Dores (2009-2010). “Mãe das Dores, caminho de Paz e Justiça para Cristo” – Juazeiro do Norte – Ceará: Diocese do Crato. Transcrevo o texto copiado no meu caderno de apontamentos.

 

“Os Conselhos do Pe. Cícero[1] para preservar a Mãe Natureza”

01 – Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau.

02 – Não toque fogo no roçado nem na caatinga.

03 – Não cace mais e deixe os bichos viverem.

04 – Não crie o boi nem bode soltos. Faça cercado e deixe o pasto descansar para se refazer.

05 – Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar a água da chuva.

06 – Não plante de serra acima, nem faça roçado em ladeira muito em pé, deixe o mato protegendo a terra para que a água não arraste e não se perca a sua riqueza.

07 – Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta.,

08 – Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou de outra árvore qualquer até que o sertão seja uma mata só.

09 – Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga como a maniçoba, a favela e jurema. Elas podem ajudar você a conviver com a seca.

10 – Se o sertanejo obedecer a estes ensinamentos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer. Mas se não obedecer, dentro de pouco tempo, o sertão vai virar um deserto só.

 

 

 

[3.] Louis-Ferdinand CÉLINE, o antídoto. “Quantas fraquezas! Só podemos contar para nos liberarmos com a força das circunstâncias. Por sorte, ela é enorme, a força das circunstâncias” (p.190). “Não sabemos mais quem despertar, ao envelhecermos, se os vivos ou os mortos” (p.183). “Eu tentava ter uma idéia do nível de impotência a que havia descido, mas não conseguia” (p.188). “Esse otimismo resignado e trágico lhe fazia as vezes de fé e formava o fundo de sua natureza” (p.106). “Somos virgens de Horror como o somos de Volúpia” (p.21). “Positivamente, tudo o que é interessante se passa na sombra” (p.72).

 

 

 

 POR: Pedro José, Chapadinha, 24-10-09; 4048 caracteres (com espaços incluídos).

 

 

 

 

[1] Cícero Romão Batista (Crato, 24 de março de 1844 — Juazeiro do Norte, 20 de julho de 1934) foi um sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular é conhecido como Padre Cícero ou Padim Ciço. Li com muito proveito o artigo: NETO, Lira, “O Milagre de Juazeiro Volta a Roma” in Revista Piauí, nº35, Ano 3, Agosto 2009, pp.50-53. O jornalista e escritor prepara biografia sobre o Pe. Cícero, a ser publicada pela Companhia das Letras.
 
10月24日

LULA, mais uma frase polêmica: não será a última.

 

 

 

LULA, mais uma frase polêmica:

não será a última.

 

 

 

1. Uma voz lúcida (oficial):

''Jesus não fez aliança com fariseus e saduceus'' – POR Dom Dimas Lara

 

“Ao ser indagado ontem sobre as declarações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que se Jesus Cristo vivesse nos dias de hoje teria de fazer coalizão até com Judas para poder governar, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Dimas Lara Barbosa, fez a seguinte observação: "Judas era um discípulo de Jesus. Mas Jesus não fez aliança com fariseus e saduceus."

A reportagem é de Lígia Formenti e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 23-10-2009.

Logo em seguida ele explicou que fariseus são "pessoas que parecem uma coisa por fora, mas por dentro são outra". Nos textos do Evangelho eles aparecem como adversários de Jesus, que os critica sobretudo por sua hipocrisia e avareza.

Questionado se estava se referindo indiretamente a partidos da base governista, especialmente ao PMDB, o bispo respondeu: "Quando falei em fariseus não estava me referindo a partidos políticos", explicou. Mas Deus conhece o coração das pessoas."

OPORTUNISTAS: Os fariseus e saduceus formavam dois grupos com grande força política e religiosa em Israel na época em que Cristo viveu. Os saduceus, segundo o Dicionário de Termos Religiosos e Afins, da Editora Santuário, constituíam um partido com "ideologia conservadora e oportunista, de sorte que se acomodavam ao poder dominante, neste caso a Roma". De acordo com a mesma fonte, os dois grupos contribuíram de forma decisiva para a condenação de Cristo à morte.

D. Dimas fez os comentários ao término de uma cerimônia na qual foi anunciado o lançamento de uma campanha que pretende estimular as pessoas a realizar o teste de HIV e de sífilis. A campanha é uma parceria entre a CNBB e o governo federal, por meio do Ministério da Saúde.

Logo após falar sobre as declarações de Lula, o representante da CNBB lembrou que está em discussão no Congresso o projeto de lei conhecido como ficha limpa, que tem como objetivo proibir candidaturas de pessoas com pendências na área do Judiciário.

"Quero aproveitar a ocasião para lembrar que a Igreja continua com a sua luta a favor do projeto de fichas limpas na política", disse o secretário-geral da CNBB. "A coisa pública exige o mínimo de ética de quem a pratica." Em suas declarações, d. Dimas lembrou ainda que a Igreja está preocupada com os pobres do País, que muitas vezes permanecem à margem da sociedade e dos processos políticos”.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=26854 , aceso: 23-10-09.

 

 

2. Uma voz lúcida (não - oficial):

 ''O realismo de Lula é admirável'', constata antropólogo  -  POR Roberto DaMatta

 

“O realismo do Lula como presidente é admirável. Estamos vivendo um momento de rotinização do capitalismo liberal e de mercado no Brasil, do qual Lula tem sido um instrumento importante, histórica e politicamente, e daí a reação a esse tipo de constatação. Ou seja: como fazer isso sem, em algum momento, vender sua alma ao diabo, trair um pouco, ter um curinga na manga e um plano B na cabeça, sem mentir ou exagerar e fazer alianças com todo tipo de gente?”. A constatação é de Roberto DaMatta, antropólogo, em entrevista publicada no jornal O Estado de S. Paulo, 23-10-2009. O antropólogo comenta a frase de Lula: "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".

Segundo ele, “Lula tem a virtude de falar claro. Às vezes eu penso que ele não tem inconsciente. De perto, a declaração pode parecer horrível. De longe, é a constatação da nossa face dupla, das nossas cumplicidades com o partido que não ia roubar nem deixar ninguém fazê-lo, mas o fez o mensalão; ressuscitou Sarney e quejandos, tem desmoralizado o Congresso; enfim, o nosso lado que odeia a lei valendo para todos - esse Judas dentro de cada um de nós que não quer mudar o "você sabe com quem está falando?" Já do outro lado há o Jesus dos pobres e dos famintos, dos honestos cordeiros seguidores da lei”.

Para DaMatta, “a política brasileira de distingue por dissolver em ácido todas as ideologias e todo o formalismo partidário. Nela, os laços pessoais passam por cima de quase tudo. E, em nome do possível, do realismo, fazemos tudo e deixamos tudo para o amanhã: esse nosso grande Judas”.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=26853 , acesso: 23-10-09.

 

 

3. Uma lucidez na voz (estudo e comunicação):

 

O meu comentário que não é bem um comentário mais um link. Remeto para alguém que tem feito destas “expressões e/ou frases polêmicas” objeto de estudo e pesquisa. Esse pesquisador atento diz assim: “De vez em quando aponto aqui as referências religiosas na imprensa escrita. Isto não tem qualquer pretensão académica. Mas parece-me que seria possível um estudo sobre as expressões de origem bíblica que se usam na linguagem escrita, ou sobre as expressões de cariz religioso… Haverá algum fio condutor para este uso? É irónico? É cómico? Conotativo? Denotativo? Na política? No desporto? Na economia? Na cultura? Só aponto. E claro que é um apontamento muito limitado, feito ao sabor da acumulação de três ou quatro recortes de frases que saltam à vista. De vez em quando atiro-as para o blogue.” (FONTE: JPF in http://tribodejacob.blogspot.com/2009/10/inspiracoes-4.html ).

 

 

Foi por isso que eu registrei este “causo” linguístico-institucional. O nosso presidente Lula é um “animal político” raro e genial. É um prato cheio nesta matéria e noutras realidades. Fica o registro simples e a chamada de atenção para: o Poder, a Linguagem e Comunicação de Massas. Quem tiver o “dom” de discernir, passa bem na frente dos “outros” e atinge a comunicação em profundidade. Quebra barreiras (e talvez preconceitos linguísticos, outro assunto infindável), não cria “ilhas”, ultrapassa bloqueios e constrói diálogo. Onde fica a Verdade, e o caminho para ela? Como fazer a leitura sociológica e antropológica, etc., numa sociedade da comunicação global em tempo real?

 

 

POR: Pedro José, 23-10-09, Chapadinha, caracteres (com espaço): 6049.

 

10月22日

Escolhos Patéticos...

 
 

Escolhos Patéticos...

 

 

A Sombra e a Amada.

Ela sabia de si e dos seus sentimentos

Seu nome era Sombra

Ela sabia só que o Amor é a sua recompensa.

 

 

Sombra e Luz eram inseparáveis,

gostavam-se ao ponto de ficar em Silêncio.

Olhando-se de frente, contemplando longos cílios e perfis.

Os olhos fugiam e não se encontravam, afagos quentes e pungentes...

Houve então a insanidade do arrependimento, uma distensão covarde.

O Apego chegou na mesma altura em que a Ternura saiu de casa.

 

 

O claro-escuro, ficou mais escuro, a dúvida fez-se certeza.

A Luz ficou com as trevas e nas trevas não há Sombra.

A aliança Luz e Sombra desfez-se,

tal como o nevoeiro no império do Sol.

 

 

O Amor pela Luz da Sombra era necessário.

Não há na vitalidade a necessidade de ser capaz.

O mundo não quer um Amor necessário.

Devemo-nos uma responsabilidade sem Senhor.

O mundo dos Amantes gera a Dor.

Veio então a tarde, terminou o dia, e chegou a Noite.

 

 

A Sombra não temia a Noite.

Os amantes amam a Noite.

Mas a Sombra não suportava o Esquecimento.

Luz da Luz, minha Sombra Amada.

No Desejo de ser melhor.

Paciência do Ser.

Faminto estou de estar sempre.

Não mais, agora, me faço de Frágil!

Encontro-me perdidamente Denso!

Fora de mim: Sombra amada, Luz requerida.

Não sou mais ego, apenas, eu mesmo.

Não ser mais alienante nem alienado.

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 22-10-2009. 1252 caracteres (com espaços incluídos).

 

 

"Palavras que mudaram o mundo" entrevista Drª Pnina Shor (por Gustavo Adolfo Kralj)

 

 

Pílula Bíblica 14

 

“Palavras que mudaram o mundo”

– Entrevista exclusiva com a Drª PNINA SHOR (Gustavo Adolfo Kralj)  -

 

 

Fragmentos dos célebres manuscritos do Mar Morto, junto com outros objetos de incalculável valor arqueológico, compõem a exposição “Palavras que mudaram o mundo”, atualmente exibida no Royal Ontario Museum, em Toronto. Para conhecermos melhor esses valiosíssimos documentos, entrevistamos com exclusividade a Dra. Pnina Shor, chefe de Seção de Conservação de Artefatos do Departamento de Antiguidades de Israel.

 

Por Gustavo Adolfo Kralj

 

Uma das descobertas arqueológicas mais significativas do século XX ocorreu há 60 anos, quando um beduíno, Muhammed edh-Dhib Hassan, à procura de uma cabra perdida, encontrou, escondidos numa caverna no deserto, rolos de pergaminhos escritos dois mil anos atrás. Estavam guardados em jarros e surpreen-dentemente bem conservados.

 

A partir daí, entre 1947 e 1956, foram descobertos quase 900 textos, a maior parte deles em pergaminhos, uma pequena parcela em papiros e um gravado em cobre. O valioso material estava oculto em onze cavernas nas redondezas de Wadi Qumran, perto das ruínas do antigo assentamento de Khirbert Qumran, a noroeste do Mar Morto, nome que mais tarde se associou aos documentos.

 

Atestada a sua autenticidade em 1948, foi possível determinar que sua origem remonta a um período que se estende do século III a.C. ao primeiro século da era cristã. Uns estão escritos em hebraico, outros em aramaico e outros ainda em grego.

 

Seguiram-se décadas de pesquisa, e passou-se a utilizar uma tecnologia desenvolvida por cientistas da NASA para recuperar o texto dos manuscritos, que com o tempo estavam se desintegrando. Uma vez analisado, cada fragmento passou a fazer parte de um enorme quebra-cabeças não inteiramente resolvido até hoje.

 

O encargo de conservar esse valiosíssimo acervo cabe à Dra. Pnina Shor, chefe da Seção de Conservação de Artefatos do Departamento de Antiguidades de Israel. Ela é a responsável pelos Manuscritos do Mar Morto e por outros objetos em exposição — até 3 de janeiro de 2010 — no Royal Ontario Museum em Toronto, Canadá.

 

Palavras nas quais milhões de pessoas creem

De início, chama atenção a escolha do lema do evento: Words that changed the World – Palavras que mudaram o mundo. Qual é a relação do lema com os documentos do Mar Morto?

Pnina Shor esclarece: “A meu ver, o lema abrange muito bem o tema da exibição no sentido de que aqui estão palavras da Bíblia, e como tal, são palavras pronunciadas para o mundo inteiro. São palavras comuns a todos nós, palavras nas quais milhões de pessoas no mundo creem, sejam judeus, cristãos, ou muçulmanos; portanto, são verdadeiramente palavras que mudaram o mundo”.

 

Após lembrar a recente viagem de Bento XVI a Terra Santa, a especialista israelense acrescenta: “Trata-se de documentos escritos há mais de dois mil anos, quando Jesus e o cristianismo nasceram. Eles incluem textos bíblicos, apócrifos e comentários sobre a Bíblia. Falam da origem comum dos judeus e dos cristãos. É verdade que não existem entre eles cópias do Novo Testamento, simplesmente porque o Novo Testamento foi compilado depois que os manuscritos foram escondidos nas cavernas.1 Mas podem-se ver neles as origens do cristianismo, junto com textos bíblicos e outros textos judaicos. Constata-se assim, a origem comum das duas religiões. Isto está na linha do que o Papa falou em sua visita à Terra Santa”.

 

Debate sobre as origens — a “tese essênia”

Determinar em que época foram redigidos os Manuscritos do Mar Morto não é tão difícil quanto estabelecer com segurança quais foram seus autores.

 

A chamada “tese essênia”, embora seja em nossos dias alvo de muitos debates, é a mais amplamente aceita no mundo acadêmico. Assim a descreve Aimé Fuchs (1925-2006), catedrático no Instituto de Pesquisa de Matemáticas Avançadas de Strasbourg: “Os historiadores do primeiro século da nossa era, Fílon de Alexandria, Caio Plinio Segundo e, sobretudo, Flávio Josefo, relataram que, ao noroeste das margens do Mar Morto, vivia naquela época uma comunidade de cenobitas chamados essênios, que eram celibatários, vegetarianos e praticavam um modo de vida bem austero segundo as prescrições da Torá. Ora, os manuscritos foram encontrados justamente nessas paragens perto do Mar Morto. Essa coincidência fez com que surgisse a tese [...] segundo a qual o conjunto dos manuscritos do Mar Morto provém de uma comunidade essênia que então se encontrava na região de Qumram. E que essa comunidade, por causa do avanço das tropas romanas, teria escondido esses manuscritos nas cavernas da redondeza um pouco antes da queda de Jerusalém, em 70 d. C.”.2

 

De sua parte, Pnina Shor adverte que estabelecer a origem dos documentos é uma questão muito complicada e controvertida, mas aponta alguns dos argumentos que reforçam a “tese essênia”:

 

“Os documentos foram originalmente identificados como provindos dos essênios pelo Prof. Sukenik,3 depois que ele leu a primeira cópia das Regras da comunidade. Ele notou a clara semelhança com os essênios mencionados por Flávio Josefo em sua obra A guerra dos judeus.

 

“Nesse livro, Josefo descreve os três ramos principais do judaísmo, no fim do primeiro século. Menciona os fariseus, os saduceus e os essênios. A descrição que Josefo faz dos essênios e de como eles viviam é muitíssimo parecida com o que esse grupo narra sobre si mesmo.

 

“Mas, nos manuscritos não há nenhuma referência específica aos essênios. O grupo que escreveu os manuscritos chama a si mesmo de yahad, que em hebraico significa ‘o conjunto’, ‘a comunidade’. Quando falam de si mesmos, eles sempre descrevem seu modo de viver e suas crenças. Eles constituem um grupo muito piedoso que decidiu sair da vida de Jerusalém, porque, para eles, Jerusalém se tinha corrompido. Eles, ou pelo menos alguns deles, decidiram se retirar”.

De outro lado, não é certo que os membros desse grupo tenham sido os autores de todos os documentos:

“Os textos bíblicos e os apócrifos podem ter sido compilados ou escritos por outros. Esse grupo ou qualquer outro pode ter recolhido todos estes manuscritos e escondido nas cavernas. Há outras teorias que falam do Templo e de que os manuscritos seriam parte da biblioteca do Templo. Outros afirmam que se trata de escritos oriundos de diversos grupos de fiéis”, conclui Shor.

 

Admirável exatidão nas traduções do grego, latim e hebraico

A exegese bíblica é uma das disciplinas mais beneficiadas pelos Manuscritos do Mar Morto. Tomando-os como ponto de referência, até que ponto são precisas as ulteriores traduções para o grego e o latim dos primeiros tempos da Igreja? Há contradições ou discrepâncias entre elas e os manuscritos do Mar Morto?

 

Pnina Shor responde: “Não há contradições, já que estamos falando sobre a transmissão de um texto. A transmissão de um texto é feita por pessoas, e, portanto, é normal que com o tempo haja diferenças devido à variação do pensamento e das capacidades humanas, podendo até aparecer algum erro. Mas penso que devemos analisar a questão por outro lado. O que é impressionante neste caso é que o conteúdo foi preservado na tradução grega. Mais tarde foi traduzido para o latim, sendo em seguida traduzido novamente para o hebraico. Quando os Manuscritos foram encontrados, verificou-se que a exatidão das traduções é realmente de admirar — e isso é emocionante”.

 

Alguns escritos eram até agora desconhecidos

Perguntada sobre se os manuscritos contêm unicamente livros canônicos, como hoje os conhecemos, Pnina Shor esclarece: “Não, os Manuscritos abrangem muito mais do que os livros canônicos. Há uma grande variedade de escritos, previamente desconhecidos. Isso desperta o interesse dos pesquisadores e estudiosos da matéria”.

Como exemplo desses textos não-canônicos, Pnina Shor menciona “o chamado Barkhi Napshi, um salmo apócrifo que está em sintonia com as escrituras canônicas, mas que não era conhecido anteriormente”.

“Estamos falando da existência de mais de 900 manuscritos. Podemos então conjeturar que eles contêm muitos textos que eram desconhecidos anteriormente. Isso atrai investigadores do mundo inteiro, de todas as denominações religiosas”.

 

Três valiosos elementos

arquitetônicos do Templo

A exposição em Toronto não se restringe somente aos Manuscritos do Mar Morto, mas também a outros artefatos arqueológicos cuja importância é bem ressaltada pela especialista israelense.

“Ao passear pela exposição, temos a impressão fascinante de estarmos indo da Galileia a Jerusalém pelo deserto. Todos os objetos são fascinantes — eu não gostaria de pô-los em uma ordem de precedência —, mas penso que vale a pena prestar atenção em três elementos arquitetônicos.

“O primeiro é a pedra angular do Monte do Templo de Jerusalém. É a pedra onde o sacerdote subia para tocar a trombeta convocando a todos para comemorar o sábado e as demais festas. Como podemos saber que é autêntica? Pela inscrição que está nela, no mesmo tipo de letra dos manuscritos — portanto, do mesmo período — que afirma ser essa ‘a pedra angular onde soa a trombeta’”.

O segundo elemento pertence ao Templo Herodiano, que era dividido em vários pátios. “Ao pátio principal, qualquer pessoa podia ter acesso; depois de certo ponto, somente podiam ingressar os judeus; mais adiante, somente homens; e no Santo dos Santos, apenas o sumo sacerdote podia entrar e apenas uma vez por ano, no dia de Reconciliação, o Yom Kippur. Marcando a divisão onde somente os judeus podiam entrar, havia uma pedra com uma inscrição. Essa pedra também faz parte da exibição.

“O terceiro elemento de interesse são três restos arquitetônicos do tríplice portão da entrada principal do Monte do Templo. Todos estes objetos foram descobertos durante diversas escavações ao redor do Monte do Templo.

“Nenhum de nós conheceu o Templo. Conhecemo-lo através das Escrituras, e posteriormente através de nossas investigações. Todavia, aqui temos objetos tangíveis que o tornam novamente vivo entre nós” — conclui Pnina Shor.

 

Longo processo rumo à publicação

Seja qual for a origem dos Manuscritos do Mar Morto, não cabe dúvida quanto ao seu imenso valor e à urgente necessidade de sua preservação e restauração. Este é o campo próprio do trabalho de Pnina Shor.  Assim explica ela o desafio enfrentado por seu Departamento de Antiguidades de Israel:

“A conservação e a restauração dos manuscritos é um processo minucioso, entediante e interminável. Conhecemos especialistas que dedicam sua carreira acadêmica somente a este labor.

“A primeira e principal razão disso é que estamos falando de manuscritos que têm mais de dois mil anos. Eles ficaram escondidos e preservados em cavernas no deserto. Por causa do clima, da temperatura e da falta de luz, eles se conservaram e atravessaram os séculos. Quando foram retirados das cavernas, a deterioração natural começou ou continuou, e eles se fragmentaram em uma enorme quantidade de frações. São 900 documentos divididos em milhares e milhares de fragmentos.

“Ora, quando os manuscritos foram trazidos das escavações, ficaram espalhados em longas folhas de papel e, como um quebra-cabeça, foi-se tentando juntar os pedaços. Naquele tempo, os especialistas estavam interessados em conhecer o conteúdo dos manuscritos; não havia preocupação com a necessidade de conservá-los e preservá-los” — explica a Dra. Shor.

Assim, foi usada fita adesiva para unir os fragmentos, o que acelerou a sua deterioração. Os manuscritos são muito frágeis: 80% deles são de pergaminho orgânico, enquanto os outros 20% são escritos em papiros. Se não forem guardados e manuseados com o devido cuidado, eles ressecam e se racham.

Nas décadas de 60 e 70 os estudiosos continuaram a decifrar o conteúdo dos manuscritos, mas surgiu a preocupação de conservá-los, recorrendo-se, para isto, aos melhores métodos conhecidos na época.

“No fim da década de 80, o Departamento de Antiguidades de Israel foi constituído tendo como objetivo a preservação dos manuscritos, bem como a publicação de seu conteúdo. No início, muito poucos deles foram publicados, pois eram poucos os especialistas trabalhando nesses documentos os quais, como hoje sabemos, são mais de 900”.

O que o Departamento fez, informa a Dra. Shor, foi distribuir o material disponível entre 80 especialistas do mundo todo, de diversas religiões, dando-lhes uma década para publicar o material recebido.

 

Conservar o que foi preservado

por dois mil anos

 

“É bom que toda a matéria seja publicada, mas também é indispensável preservar os manuscritos para a posteridade. Esta é a tarefa do Departamento de Antiguidades de Israel”, afirma a Dra. Shor.

Para isso, especialistas como os chefes de conservação da Library of Congress e do Getty Conservation Institute viajaram a Israel a fim de ajudar a determinar os melhores processos a serem empregados.

“A primeira e principal tarefa é retirar os manuscritos dos vidros em que foram colados e retirar os restos de fita adesiva. Isto foi o que causou o dano maior. É preciso trabalhar placa por placa, manuscrito por manuscrito, fragmento por fragmento...”.

Trata-se de um processo levado a cabo com muito cuidado, e que já dura 18 anos. Visando sua revisão e aperfeiçoamento, o Departamento de Antiguidades têm pedido a colaboração do Ministério da Cultura Italiano e do Istituto Centrale per la Patologia del Libro, entre outros.

“Nosso lema é: ‘se os Manuscritos foram preservados durante dois mil anos, é nosso dever conservá-los por, pelo menos, outros dois mil’” — enfatiza Pnina Shor. Pois, afinal, são “palavras que mudaram o mundo!”.

 

1 Convêm lembrar que, em 1972, o papirólogo jesuíta espanhol José O’Callaghan Martínez identificou os versículos 52 e 53 do capítulo sexto de São Marcos no fragmento 7Q5 desses manuscritos, despertando nos círculos de especialistas enorme polêmica, que perdura até hoje.

2 FUCHS, Aimé. Les manuscrits de la Mer Morte. Strasbourg: Institut de Recherche Matématique Avancée, 2000, p. 2 – tradução nossa.

3 Prof. Eleazar Lipa Sukenik (1899-1953), arqueólogo israelense e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém.

 

 

FONTE: Palavras que mudaram o mundo” – Entrevista exclusiva com a Drª Pnina SHOR, por Gustavo Kralj, in Arautos do Evangelho, nº 76, Setembro 2009, pp.48-51. Versão on-line: http://revista.arautos.org.br/RAE93-Palavras-que-mudaram-o-mundo.asp, acesso: 21-10-09.

Caracteres (espaço incluídos): 13.870.

 

 

 

Correia Pedro

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Fé = Alegria
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Amor = Justiça